segunda-feira, 12 agosto
Motta vota contra a Reforma da Previdência

POR QUE VOTEI CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

 

  Luiz Carlos Motta – Deputado Federal 

 

Sim. Concordo que é preciso reformar o sistema previdenciário brasileiro, mas defendo, igualmente, o direito de todos os trabalhadores e de todas as trabalhadoras brasileiras se aposentarem.  Com plena compreensão do meu partido, o PL, que sempre foi ciente da minha origem sindical, não pude votar a favor de uma reforma que, por mais que eu tenha tentado aperfeiçoá-la na Câmara, revelou-se estar a serviço de uma ideologia neoliberal que, por meio de propagandas enganosas, induz a população ao erro, ao divulgar que somente esta reforma é capaz de tirar o Brasil da profunda crise econômica (e do consequente desemprego) e que a mesma é justa e igualitária. Não é!

 

Pontos críticos

Ela é nociva quando cria a idade mínima para se aposentar e impõe regras de transição, entre outros retrocessos citados abaixo. Concluí, portanto, que votar a favor da Reforma da Previdência no 2º Turno significaria impor mais sacrifícios aos trabalhadores, aposentados e pensionistas e contribuir para o fim das aposentadorias no Brasil. Minha resistência a esta reforma não foi política. Ela teve fundamentos trabalhistas e preocupações sociais.  Os pontos abaixo mostram por quê:

 

1) A reforma obriga mais anos de trabalho com menos benefícios.

2) Sem 40 anos contínuos de contribuição, a aposentadoria reduz quase pela metade. O IBGE afirma que em 40 anos o operário perde oito de carteira assinada.

3) Os ajustes propostos atingem quem ganha até três salários-mínimos.

4) Benefícios previdenciários terão cortes de até  40%.

5) O valor das pensões poderá ser inferior ao salário mínimo. A divisão em duas cotas da pensão por morte fica assim: uma familiar de 50% e até cinco de 10% para dependentes até 21 anos. Será vitalícia apenas para quem tiver mais de 43 anos. Viúvas (os) receberão 60% da aposentadoria do cônjuge se não tiverem dependentes.

6) As contribuições de quem recebe abaixo do mínimo não serão consideradas como mês de contribuição.

7) Obrigar trabalhador de local insalubre a ficar mais anos na ativa é crueldade.

8) O governo não reconhece a diferença entre homens e mulheres na vida e no trabalho.

9) A reforma não ataca privilégios. Ricos e ruralistas estão livres de qualquer sacrifício.

10) É grande o risco de a aposentadoria acabar no Brasil. A Previdência segue para a privatização.

11) Cerca de R$ 800 bilhões da “economia” da PEC recairão sobre o Regime Geral da Previdência. Ou seja, sobre o povo.

12) Pelo menos metade dos 21 milhões de trabalhadores que ganham entre um e dois salários mínimos deixarão de receber o abono salarial.

13) Privilégios serão mantidos.